sábado, 24 de dezembro de 2016

O POLÍTICO PSICOPATA


Reprodução


“Os políticos costumam aferrar-se ao poder como psicopatas”. Hugo Marietan, médico-psiquiatra argentino e professor na Universidade de Bs. Aires.
O psiquiatra argentino Hugo Marietán, numa entrevista ao jornal La Nación, de Buenos Aires, em fevereiro deste ano, fez uma instigante análise sobre a psicopatologia e os políticos, a qual cabe perfeitamente para certos homens que militam na política brasileira.

A jornalista Laura di Marco perguntou a Marietán como é possível de se distinguir um político decente de um político psicopata? A resposta do médico e professor da Universidade de Buenos Aires é o retrato falado de alguns políticos brasileiros que atualmente figuram nas primeiras páginas da imprensa. Eis a opinião do conceituado psiquiatra argentino.


"Uma característica básica do psicopata é que ele é um mentiroso, mas não é um mentiroso qualquer. É um artista. Mente com a palavra, mas também com o corpo. Atua. Pode, inclusive, fingir sensibilidade. Acreditamos nele uma e outra vez, porque é muito convincente. Um dirigente qualquer sabe que tem que cumprir sua função durante um tempo determinado. E cumprida a missão, vai embora. Ao psicopata, por outro lado, uma vez que está acima, ninguém pode tirá-lo: quer estar uma vez, duas, três vezes. Não deixa o poder e muito menos o delega”.

“Outra característica é a manipulação que faz das pessoas. Em torno do dirigente psicopata se movem pessoas que querem satisfazê-lo. Pessoas que, embaixo do efeito persuasivo, são capazes de fazer coisas de que outro modo não fariam. São pessoas subjugadas, sim, e, inclusive, podem ser de alto nível intelectual. O líder psicopata não considera os cidadãos como pessoas com direito, mas as consideram como coisas, porque o psicopata sempre trabalha para ele mesmo, ainda que em seu discurso diga tudo ao contrário.”

“O psicopata vê as pessoas como simples instrumentos. Ele carece da habilidade emocional da empatia, que é a capacidade de qualquer pessoa normal de pôr-se no lugar do outro. ‘As coisas’(as pessoas), para o líder político com essas características, tem que estar a seu serviço: pessoas, dinheiro, a famosa caixa para pagamentos, para comprar vontades. Utilizam o dinheiro como elemento de pressão, porque utilizam a coerção. A pergunta do acionar psicopatológico típico é: como dobro a vontade do outro? Com um cargo, com um plano, com um subsídio? Como divido?”

“Os políticos importantes – concluiu o Dr. Hugo Marietán – geralmente são psicopatas por uma simples razão: o psicopata adora o poder. Utiliza as pessoas para obter mais e mais poder e as transformam em ‘coisas’ para o próprio benefício dele. Isto não quer dizer, logicamente, que todos os políticos ou todos os líderes sejam psicopatas, mas sim que o poder é um ambiente onde eles se movem como peixe na água”.

QUEM É MARITÁN

O psiquiatra Hugo Maritán, tem 57 anos, além de professor na UBA, é vice-diretor da revista de neuropsiquiatria Almaceón e coordenador do portal espanhol psiquiatria.com. Nos hospitais Moyano, Esteves e Borda, na capital argentina, dirigiu cursos de semiologia psiquiátrica.


Donald Trump, um populista imprevisível na Casa Branca

 Escolhido personagem mundial pela Pesquisa GDA, o magnata imobiliário que derrotou o establishment político americano promete exercer a Presidência da maior potência global com o mesmo estilo que o levou ao degrau mais alto do poder

Foto: Francisco Javier Olea, El Mercurio/GDA

NOVA YORK - Imprevisível, polêmico, com ataques à política tradicional dos Estados Unidos, por momentos escandalosos e, para alguns, aterrorizantes. O estilo da campanha presidencial de Donald J. Trump, o magnata que fez o establishment de Washington se ajoelhar, impregnará agora a Casa Branca.

O triunfo de Trump nas eleições americanas abriu uma nova era que despertou esperança e entusiasmo entre seus seguidores, os “homens e mulheres esquecidos” do país, como foram chamados pelo bilionário em seu discurso em Nova York na noite de 8 de novembro, após ser eleito. Mas também provocou pânico e inquietação entre seus detratores.

O republicano conquistou a Casa Branca, mas perdeu no voto popular. Alguns esperam que mantenha seu estilo e promessas; outros, que se torne mais moderado. Desde que se converteu em presidente eleito, o homem que comandará a primeira potência global mostrou duas faces, os “dois Trumps”.

Ele moderou o tom de algumas de suas promessas de campanha e mostrou jogo de cintura ao escolher seu Gabinete, enviando sinais amistosos à sua coalizão — incluindo a extrema-direita —, mas também a Wall Street, às Forças Armadas e ao establishment republicano, que desprezou durante a campanha e com o qual se mostra agora unido para governar. Enterrou também seu enfrentamento com Hillary Clinton, quem havia ameaçado prender.

Mas Trump, como presidente eleito, continuou com seus ataques no Twitter (do “New York Times” ao elenco de “Hamilton” na Broadway e a Alec Baldwin, que faz uma paródia sua no programa “Saturday Night Life”), deu novas declarações falsas (“milhões de pessoas votaram ilegalmente nesta eleição”, disse, sem fornecer provas ou detalhes), passou por cima esquemas diplomáticos da política exterior dos EUA (a filha Ivanka participou de seu primeiro encontro encontro bilateral, com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe), e sua família e seus negócios ficaram envolvidos na transição de comando, criando conflitos de interesses sem precedentes.

— Creio que pode ser uma época muito instável, devido ao que Trump é e à campanha que comandou. É um momento de incerteza fundamental — resumiu Julian Zelizer, historiador e professor da Universidade de Princeton.

SEM FOCO NA AMÉRICA LATINA

Zelizer vê uma continuidade da campanha de Trump à Casa Branca: o temperamento volátil e o uso explosivo do Twitter; a presença da supremacia branca; a linha-dura contra muçulmanos, imigrantes e o acordo de livre comércio; e as contradições entre suas ações e suas declarações.

Os Estados Unidos se preparam para sentir na própria carne o populismo, liderados por um presidente narcisista, famoso por sua escassa capacidade de concentração e sem experiência na burocracia de Washington.
— Vamos ter que nos acostumar com um presidente que põe e tira temas na conversa com relativa facilidade e fluidez, sem sentir que sua palavra não vale. É uma nova forma de governar, suspeito que muito tensa, porque ninguém pode prever nada — analisou Peter Schechter, diretor do Centro para América Latina Adrienne Arsht do Conselho Atlântico.

Schechter vê um presidente pragmático que não está “casado com princípios a não ser obter resultados e acordos”.

Trump já moderou sua dura retórica sobre mudanças climáticas (o que havia chamado durante a campanha de “uma farsa da China”); sobre o muro na fronteira com o México (disse que parte dele pode ser uma cerca); as deportações de imigrantes ilegais (restringidas agora aos que tenham antecedentes criminais); e a reforma de saúde de Barack Obama, conhecida como Obamacare.

Manteve, por enquanto, a promessa de retirar os EUA do Acordo Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), renegociar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA) com México e Canadá, e cortar regulações e impostos a empresas.
Schechter acredita que a América Latina vá ser relegada de novo a uma região de pouca importância na política externa dos EUA. Ele enumerou três exceções: México, América Central (devido à imigração) e Cuba. Outros analistas acreditam que a indiferença pode ser benéfica para a região.

— O melhor cenário é uma relação fria e distante — indicou Juan Carlos Hidalgo, analista do Instituto Cato, um centro de estudos libertário de Washington. — Dada à enorme percepção negativa de Trump na América Latina, seria muito imprudente do ponto de vista político que um presidente da região busque uma aproximação. O pior cenário é se Trump cumprir suas promessas quanto ao muro, a renegociar o NAFTA e reverter a aproximação com Cuba. A figura de Trump poderia dar um novo fôlego aos populistas da região, semelhante ao papel desempenhado por George W. Bush em sua época.

Hidalgo antecipa uma presidência com muitos escândalos, que vão gerar instabilidade dentro e fora dos EUA. Ele teme que o poder do Salão Oval “agrave as patologias” de Trump, e duvida sobre qual será o alcance de seu populismo: embora tenha poder, a maioria dos americanos não votou nele.

— Vemos o mesmo Trump errático, irascível e imprevisível da campanha — resumiu, ao falar da transição.
Shannon O’Neil, especialista em América Latina do Council on Foreign Relations, também observa “negligências” em relação à região, que poderiam chegar a ser “uma negligência benéfica”.

— É uma região muito mais aberta, economicamente sólida e pragmática, capaz de se comprometer em nível mundial. Não necessariamente necessita dos EUA — observou O’Neil. 

— É possível que um governo americano que não esteja interessado na região, ou que suas prioridades estejam em outros lugares, abra espaço para que a nova liderança na América Latina tenha uma visão abrangente e busque aliados no mundo. Pode proporcionar certa liberdade para formar novos vínculos e conexões.


O’Neil também destacou duas exceções: México, um país que se prepara para uma relação mais tensa com os EUA, e Cuba, onde a pergunta é quanto sobrará da abertura proporcionada por Obama.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Odebrecht e Braskem terão monitor externo contra fraudes




SÃO PAULO — O acordo firmado por Odebrecht e Braskem com autoridades dos Estados Unidos e da Suíça no âmbito da Operação Lava-Jato impõe às companhias vigilância externa. Por três anos, um fiscal terá acesso a todos os dados, documentos, e atividades de funcionários e até diretores das empresas.

Ele terá a função de fiscalizar o cumprimento do acordo, evitando novos casos de corrupção. O monitoramento é uma das exigências feitas as empresas pelo do Departamento de Justiça americano (DoJ).

Odebrecht e Braskem vão indicar listas tríplices com sugestões de nomes, mas a escolha caberá ao DoJ.

Antes disso, o fiscal externo passará por uma série de entrevistas e terá que apresentar certidões comprovando reputação ilibada. Ele entregará um plano de trabalho em 60 dias para garantir que as companhias implementem uma política anticorrupção. Também produzirá relatórios periódicos sobre os negócios das empresas e a conduta dos funcionários.

Em caso de qualquer irregularidade identificadas pelo monitor, as empresas estão sujeitas ao rompimento do acordo e a serem processadas na Justiça americana. Nessa hipótese, segundo fontes envolvidas no acordo consultadas pelo GLOBO, as companhias ficariam sujeitas ao pagamento de multas pelo menos 10 vezes maiores do que já foram acertadas. Pelos termos do acordo, Odebrecht e Braskem vão pagar R$ 11, 6 bilhões.

51 DEMITIDOS POR CORRUPÇÃO

As medidas de compliance que terão de ser implementadas pelo monitor são rígidas. A Odebrecht, por exemplo, terá de demitir pelo menos 51 funcionários pelo envolvimento em práticas de corrupção.

Outros 26 empregados da construtora que tiveram algum tipo de participação em irregularidades estarão sujeitos ao pagamento de multas e poderão ser suspensos de trabalhar nas empresa por até um ano e meio. Eles não poderão assumir cargo de chefia e passarão por cursos de política anticorrupção e de ética.

Não é a primeira vez que uma empresa brasileira ficará sujeita ao monitoramento externo por envolvimento em corrupção. Em outubro, quando fechou um acordo com a Justiça americana, a fabricante de aviões Embraer se comprometeu a receber um monitor por três anos. As responsabilidades do monitor são as mesmas previstas nos termos assinados pela Odebrecht e pela Braskem. A Embraer concordou em pagar US$ 206 milhões (R$ 685 milhões) ao se declarar culpada por pagar propina a autoridades governamentais de República Dominicana, Arábia Saudita e Moçambique para vender aeronaves entre 2005 e 2010.

A assinatura do acordo em que a Odebrecht confirma ter pagado propina para políticos e gestores de 12 países provocou reações na América Latina ontem. O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, afirmou que a Procuradoria do país precisa investigar o caso e intimar os funcionários da Odebrecht a prestarem depoimento sobre o pagamento de US$ 28 milhões (R$ 93 milhões) de suborno ao Peru.
O presidente colombiano, José Manuel Santos, pediu que a Procuradoria solicite informações para o DoJ. O ex-presidente Álvaro Uribe, que comandou a Colômbia na época em que teriam ocorrido o repasse de US$ 11 milhões (R$ 36 milhões), também.


No Equador, o secretário jurídico da Presidência da República, Alexis Mera, disse que o caso será investigado e lembrou que, em 2008, a Odebrecht foi expulsa do país acusada de corrupção em uma obra hidrelétrica. O suborno da construtora a autoridades equatorianas atingiu US$ 33 milhões (R$ 110). (Colaborou Tiago Dantas)

domingo, 1 de maio de 2016

No Dia do Trabalho, Getúlio Vargas e JK reuniam multidão em São Januário

 No estádio, Getúlio assinou criação do salário mínimo e da CLT, em 1943. Na ditadura de 64, mensagens de 1º de maio à ‘família operária’; e, em 1981, atentado do Riocentro
Carro aberto. O presidente Getúlio Vargas durante as comemorações do Dia do trabalho, no Estádio de São Januário



















O Estádio de São Januário — o maior do Brasil até a construção do Pacaembu, em São Paulo, em 1940 — era o cenário para comemorações do Dia do Trabalho pelos presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), Vargas reunia no dia 1º de maio dezenas de milhares de pessoas no estádio, onde da tribuna fazia longos discursos. Foi lá que o líder da Revolução de 30, que pôs fim a República Velha (implantada em 1889 após o Império ruir), anunciou a criação do salário mínimo no país e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

 No próprio estádio do Vasco da Gama, Getúlio assinou o decreto-lei criando o mínimo, em 1º de maio de 1940, que variava entre 90 mil reis, no interior do Nordeste, e 240 mil reis, nas grandes cidades. A remuneração deveria ser capaz de cobrir as necessidades mínimas de uma família de quatro pessoas. No ano seguinte, na mesma data e no mesmo local, o presidente assinou a criação da Justiça do Trabalho e, em 1943, foi a vez da assinatura da CLT, incluindo os direitos trabalhistas na legislação brasileira.

Em plena Segunda Guerra Mundial, Vargas, que havia chefiado o Governo Provisório (até 34) e depois se elegeu presidente pela Assembleia Nacional Constituinte (1934-1937), costumava comandar no estádio do Vasco um “comício cívico-militar-esportivo”, conforme reportagem do GLOBO na época. No Dia do Trabalho de 1942, por exemplo, diante das arquibancadas superlotadas, desfilaram operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) — recém-criada pelo governo para incentivar a industrialização brasileira —, estudantes e até soldados em tanques e bateria antiaérea.

Nos anos 50, o presidente Juscelino Kubitschek também fez pronunciamentos no estádio, inaugurado três décadas antes, em 21 de abril de 1927 (na época, era o maior estádio da América do Sul). JK comparecia às comemorações do 1º de maio sempre em companhia do ministro do Trabalho e de membros do seu gabinete militar. No Dia do Trabalho de 1957, JK desfilou em carro aberto acompanhado por uma multidão, dando uma volta na pista de atletismo do Vasco. Preocupado com os efeitos da inflação no bolso do trabalhador, ele afirmou, em discurso, que todos os esforços estavam sendo feitos no país para “impedir que a moeda perdesse o seu poder aquisitivo”.

Durante a ditadura militar (1964-1985), os presidentes também aproveitavam as comemorações do 1º de maio para divulgar mensagens aos trabalhadores brasileiros. No auge dos anos de chumbo e da repressão ao movimento sindical no país, o presidente Médici afirmou, em sua mensagem de 1972, que o governo lutava “pela dignificação dos que trabalham, pelo fortalecimento de um sindicalismo autêntico e pelo crescente bem-estar da família operária”.

Depois da assinatura da Lei da Anistia pelo presidente João Figueiredo em 1979, atentados a bomba de grupos de extrema direita, contrários à lenta abertura política, ocorreram em várias cidades do país. Em 1981, durante o show do 1º de maio, houve o atentado do Riocentro. Enquanto 20 mil pessoas assistiam ao espetáculo, promovido pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade) para comemorar o Dia do Trabalho e protestar contra a ditadura, no estacionamento uma bomba explodiu no interior de um Puma, matando o sargento do Exército Guilherme Pereira do Rosário e ferindo o capitão Wilson Luís Chaves Machado, que servia no DOI-CODI.


Criado em 1889, em Paris, o Dia do Trabalho homenageia operários que protestaram em Chicago, três anos antes, por melhores condições de trabalho. As manifestações foram duramente reprimidas pela polícia e resultaram em prisões, feridos e até mortes.

1º DE MAIO – DIA DO TRABALHO


O Dia do Trabalho é celebrado em vários países em 1º de maio. Essa data está relacionada com eventos ocorridos na cidade de Chicago em 1886.


Resultado de imagem para fotos dia do trabalhador


Desde o fim do século XIX, nos Estados Unidos da América, no Brasil e em vários outros países ocidentais, o dia 1º de maio é tido como o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Tal data foi escolhida em razão de uma onda de manifestações e conflitos violentos que se desencadeou a partir de uma greve geral. Essa greve paralisou os parques industriais da cidade de Chicago(EUA), no dia 1º de maio de 1886. Para compreendermos os motivos que levaram os trabalhadores a tal greve e o porquê da escolha desse dia como marco de memória, é necessário conhecer um pouco do contexto do período.

Sabemos que, durante o século XVIII, ocorreu, em solo inglês, um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade: a Revolução Industrial. Da Inglaterra, o processo de industrialização alastrou-se, inicialmente, pela Europa e, depois, para outros continentes, como o americano. Uma das consequências mais patentes da Revolução Industrial foi a formação de grandes centros urbanos, fato que gerou, consequentemente, uma grande concentração de pessoas em seu entorno, sobretudo de operários, cujo trabalho nutria as indústrias.

A formação da classe operária demandou uma série de necessidades que nem sempre era efetivamente cumprida pela burguesia industrial. As horas trabalhadas eram, muitas vezes, excessivas e a relação entre empregado e empregador nem sempre era amistosa. Nesse contexto, surgiram os sindicatos e os movimentos de trabalhadores, orientados por ideologias de esquerda, como o anarquismo (anarcossindicalismo) e o comunismo.
A principal forma de ação das organizações de trabalhadores com vistas à exigência de direitos era a greve. A greve geral tornou-se um instrumento de pressão frequentemente usado. Entretanto, às greves também se juntavam outras práticas, como a ação direta, que consistia em manifestações violentas. A greve geral de 1º de maio de 1886, em Chicago, resultou em forte repressão policial. Tal repressão estimulou ainda mais manifestações que transcorreram nos dias seguintes.

No dia 04 de maio, em uma manifestação na praça Haymarket, na cidade referida, uma bomba explodiu matando sete e ferindo dezenas de pessoas, entre policiais e manifestantes. A explosão de tal bomba provocou o revide dos policias com tiros sobre os manifestantes. Outras dezenas de pessoas morreram na mesma praça. Esse conjunto de eventos, desencadeados a parir de 1º de maio, tornou-se símbolo para as manifestações e lutas por direitos trabalhistas nas décadas seguintes em várias partes do mundo.

No caso específico do Brasil, a menção ao dia 1º de maio começou já na década de 1890, quando a República já estava instituída e começava um processo acentuado do desenvolvimento da indústria brasileira. Nas duas primeiras décadas do século XX, começaram a formar-se os movimentos de trabalhadores organizados, sobretudo em São Paulo e no Rio de janeiro. Entre esses movimentos, também figuravam ideologias como o anarcossindicalismo, de matriz italiana, e o comunismo.


Em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas. A força que o movimento dos trabalhadores adquiriu era tamanha que, em 1925, o então presidente Arthur Bernardes acatou a sugestão que já ventilava em várias partes do mundo de reservar o dia 1º de maio como Dia do Trabalho no Brasil. Dessa forma, desde esse ano o 1º de maio passou a ser feriado nacional. Na época do Estado Novo varguista, a data era deliberadamente usada para eventos de autopromoção do governo, com festas para os trabalhadores e muitos discursos demagógicos.

Total de visualizações de página