26 de julho
de 2012 às 10:15
POR GABRIELA
SARAIVA
Durante a
tarde de ontem, moradores da comunidade Vinhais Velho bloquearam, novamente, a
rua principal do bairro para impedir a passagem de tratores da empresa Marquise
Engenharia, que trabalha na construção da Via Expressa, naquele lugar. Uma
tropa da Polícia Militar, comandada pelo coronel Jefferson Teles, foi ao local
para tentar desobstruir a rua, encontrou resistência e entrou em confronto com
os manifestantes. Bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de
borracha foram usados.
Segundo
Gilberto Alves, de 44 anos, comerciante e morador do Vinhais Velho há 35 anos,
essa é a terceira tentativa da Polícia Militar de, com o uso da força, acabar
com o bloqueio feito pela população, que tenta impedir a retomada na construção
da Via Expressa, no trecho que passa por dentro da área habitada. “Em nenhuma
das três vezes eles trouxeram uma ordem judicial”, completou o comerciante.
Conforme
explicou o morador, no dia 21 de abril, deste ano, um acordo foi firmado na
Justiça federal e ficou resolvido que as obras na área compreendida entre o
Vinhais Velho e o Ipase estariam suspensas até que fosse realizada uma
prospecção arqueológica, a fim de avaliar os impactos ambientais que seriam
causados na área. “A maior parte já foi destruída, mas nós conseguimos
suspender e evitar que chegasse até perto das casas”, ressaltou Gilberto Alves.
Foto:
Alessandro Silva
.jpg)
Presença de
policiais militares deixou o clima tenso no Vinhais Velho
A empresária
Maria José Alves, de 60 anos, que mora na área há mais de duas décadas, afirmou
que carreteiras, caçambas, entre outros tipos de veículos e máquinas de grande
porte, trabalham no local e entulharam boa parte do mangue, desrespeitando,
segundo ela, o acordo firmado na Justiça federal.
Ação da PM –
Cerca de 40 homens do Batalhão de Choque, da Polícia Militar, comandados pelo
coronel Jefferson Teles, usando bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e
balas de borracha, tentaram desobstruir a via e garantir a passagem dos
veículos da empresa Marquise Engenharia, mas encontraram resistência. O
bloqueio era feito por um veículo de placa NNF-9244, de propriedade do deputado
federal Domingos Dutra, que dava apoio à comunidade.
Foto:
Alessandro Silva
.jpg)
Deputado
Domingos Dutra foi retirado à força da frente do carro que bloqueava a rua
O coronel
Jefferson Teles justificou a medida como sendo a única viável, depois de terem
sido esgotadas todas as formas de diálogo e diante da recusa insistente da
população em cumprir a lei. “Nós chamamos uma equipe da Secretaria Municipal de
Trânsito e Transportes (SMTT), que, apesar de garantir que o deputado
descumpria a lei, foi obrigada a se retirar depois de receber uma ordem. Esse
documento é apenas uma ata, não é determinação judicial. Mesmo assim, não se
está construindo nessa área, mas as máquinas precisam da rua desobstruída para
realizar os trabalhos. Estamos aqui para liberar a via pública.
Isso é um
direito constitucional que está sendo violado. Nós teremos que, por meio da
força estatal, usando dos meios moderados, garantir isso”, explicou o
comandante do CPM.
Na confusão,
uma bomba explodiu no pé do funcionário público Gerônimo Pereira Ramos, de 58
anos. A professora universitária Antônia Mota foi atingida por estilhaços de
outra.
O promotor
do Meio Ambiente, Fernando Barreto, esteve no local e conversou com o coronel
Jefferson Teles. Ele explicou que, a seu ver, diante do fato de a via ser de
responsabilidade da prefeitura de São Luís e não do Estado, uma vez que não se
trata de uma MA, a intervenção da PM só deveria ocorrer diante da presença e
necessidade de agentes da SMTT.
“É
importante conversar para que a integridade das pessoas seja preservada. Nós
não temos o poder de questionar a autoridade da polícia. Mas possuímos o
direito de relatar os excessos para o juiz dessa causa e as autoridades
competentes, inclusive o Ministério Público Federal, com o qual esse acordo foi
firmado. E é o que vou fazer”, disse o promotor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente esta matéria!